sábado, 9 de maio de 2015

Dia da Mães: alegrias e tristezas

Ter os filhos ao lado no dias das mães é algo que não tem preço. Ainda mais quando se constata que o  trabalho duro deu resultado: são pessoas responsáveis, independentes, que gostam de estudar e sabem respeitar os outros. Não há orgulho maior. Essa é a parte feliz dos dias das mães.
A parte triste é não ter mais ao nosso lado, e não somente nesse dia, as duas pessoas que mais me
inspiraram nessa vida: minha mãe e minha avó materna. Minha avó paterna, que se chamava Laura, não tive a oportunidade de conhecer: morreu quando meu pai ainda era uma criança. Nem preciso dizer a lacuna enorme que deixou no coração de seus cinco filhos.
Minha avó Adoração, ou vó Dora, como a chamávamos, já se foi há mais de duas décadas. Minha mãe  Cleide  partiu há 15 anos. Ambas eram amorosas, fortes e corajosas, mas cada uma de seu jeitinho.
 Vó Dora era mais assertiva e  bem humorada. Era impossível não se apaixonar por ela. Era filha de imigrantes espanhóis, vindos da Andaluzia. Teve uma vida dura, cheia de privações, mas não perdeu a alegria e o otimismo. Era ela  que me animava nas horas de dúvidas e incertezas.
 Dona Cleide era meiga e doce, mas de uma firmeza impressionante. Bastava olhar para mim e meus irmãos para entendermos na hora o que ela queria dizer. Não era de gritar, bater, só de olhar.  Era filha única e extremamente apaixonada pela família.

Sinto uma falta incrível dessas duas pequenas grandes mulheres. Mas aceitei o fato de que a missão delas nesse mundo tinha acabado. O que vale , de verdade, é o legado de amor e coragem que  deixaram para nós.

Feliz Dia das Mães!
Minha mãe Cleide, quando jovem.



domingo, 14 de dezembro de 2014

O mundo não vai acabar!

  Todo final de ano é a mesma coisa. Arrumar a  casa para as festas, dar uma última passadinha no dentista,  fazer os exames que o médico pediu há mais de seis meses,  organizar a gaveta de documentos que virou um buraco  negro.... E a lista de coisas a fazer antes do Natal e do  Ano Novo não para por aí. Sem contar a correria desenfreada  para a  compra de  presentes e mimos  que um planejamento  básico teria evitado.

  Pois é... Parece que o mundo vai acabar no dia 25 ou 31 de dezembro. Mas não vai, pelo menos por enquanto. A impressão é  que temos que deixar tudo em ordem, limpo, organizado, em dia, para ficarmos mais leves e em paz para o que der e vier. Sem pendências. Como se quiséssemos "resetar" o ano que finda e iniciar outro,  novinho em folha, apagando tudo que aconteceu ou que deixou de acontecer. Um ano novo, uma nova vida, um novo tempo.

  Sabemos que isso é impossível. A menos que sejamos submetidos a um a lavagem cerebral ou a uma reprogramação mental para esquecer aquilo que fomos ou o que fizemos. A vida permanecerá  seguindo seu ritmo próprio, os compromissos e deveres continuarão a  nos cobrar uma posição e iremos novamente nos iludir com as resoluções de um novo ano.

  Acredito que devemos aproveitar os momentos finais de  2014 para refletirmos de fato sobre o que vivemos e realizamos. Nosso erros e acertos. Parece clichê, mas é a pura verdade. Ao invés de nos preocuparmos somente com coisas a fazer,  que nos preocupemos com o que realmente queremos ser

Boas Festas!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O pôr do Sol de cada dia

Um dos fenômenos naturais que mais me encantam é o pôr do Sol.

O que me atrai são os tons de vermelho-alaranjado que cobrem o horizonte nessa hora, em contraste com o resto de céu azul e as luzes das cidades que começam a acender.  Nesse momento, me sinto pequena, minúscula, diante da grandiosidade do fenônemo.  Independe de nossa vontade, de nossa crença, de nosso estado de espirito. Irá se repetir todos os dias invarialvemente, enquanto esse  mundo existir.

Quando adolescente, costumava ficar na janela de casa espreitando o pôr do sol.  Era o meu momento de silêncio, de interiorização, como que para me recompor da minha costumeira inquietação. Até hoje mantenho esse hábito quando preciso de um tempo a sós comigo mesma.





domingo, 25 de novembro de 2012

Natal

     A época do Natal sempre é fonte de alegrias e tristezas. Graças à Deus, tenho mais recordações felizes que tristes dessa data. Durante a minha infância, como a da maioria, o Natal sempre fora recheado de surpresas e presentes. Família reunida e mesa farta.
     Um em especial me marcou profundamente, quando tinha entre nove e dez anos de idade. Nesse ano, a TV transmitiu  um especial da Turma da Mônica, do Maurício de Souza, um curta de animação, que ía ao várias vezes ao dia. Eu, arteira de plantão, resolvi encenar a estória na véspera de Natal para os meus familiares. Convoquei meus irmãos mais novos para me ajudarem na empreitada. Durante dias, ensaiamos os trejeitos e as canções do filminho -  meu irmão caçula tinha perto de quatro anos de idade, pobrezinho!
     Na  dia 24, antes da ceia, improvisamos um cenário com os móveis da sala e apresentamos a "peça" para uma audiência muito especial: meus pais e avós maternos. Foi um sucesso total, claro. Com direito a assobios de meu avô e lágrimas de minha mãe. Infelizmente, não tenho fotos nem filmagens desse momento único e singelo de nossa infância. Mas basta chegar o Natal que a musiquinha não sai de minha cabeça: "Feliz Natal pra todos, feliz Natal!".

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

De mãos dadas


Hand in hand é o titulo de um quadro que comprei anos atrás para decorar minha sala. Identifiquei-me com ele assim que coloquei os olhos naquela fotografia em preto e branco: duas crianças de mãos dadas, caminhando por uma estradinha de terra. Não poderia haver nada mais simples e bonito que aquela representação da infância. Fez-me lembrar da minha própria infância, em especial de meu irmão Ricardo, dois anos mais novo. Pareciamos nós dois andando por aquela estradinha bucólica.
O engraçado é que havia uma semelhança fisica conosco: o menino era mais baixo e loiro, como meu irmão, e a menina, morena, como eu. O corte de cabelo parecido com o que eu usava, o mesmo vestidinho. Também brincávamos descalços no quintal, em meio às plantas e bichos de estimação. Infelizmente, meu irmão nos deixou cedo demais,  aos nove anos, vitima de um aneurisma. Mas ainda me recordo bem,  depois de todos esses anos, daquele rostinho iluminado, cheios de sardas, e dos olhos verdes brilhantes. Sinto que, até hoje, estamos de mãos dadas. Como as crianças da foto.
 

domingo, 14 de outubro de 2012

Eu, meu avô e o Mercadão.

     Havia quase trinta anos que eu não ía ao Mercado Municipal da Lapa. Entrei lá, certo dia desses, depois de deixar minha filha em uma escola de computação gráfica nas proximidades. Resolvi ficar no bairro e conhecer o pulsante comércio popular local, que fica ainda mais efervescente aos sábados. Depois de andar de loja em loja para conhecer produtos e promoções, dei uma esticadinha até o Mercado. Quando  menina, ía muito lá com meu avô, Basílio, para comprar fumo de corda. Nascido em  Americana, no interior de São Paulo, manteve sua predileção pelos cigarros de palha, que ele mesmo pacientemente enrolava,  após as refeições.
      Não me lembro exatamente porque saíamos da Zona Leste, onde morávamos, para comprar o tal fumo de corda lá na Lapa, do outro lado da cidade. Talvez meu avô tivesse explicado que era o melhor da cidade ou fosse apenas uma desculpa para rodar um pouco  mais com o seu sempre impecável Fusca vermelho, ano 1963. Nessa época, ela ainda trabalhava com vendas e não havia canto da cidade que não conhecesse bem.
      Não preciso dizer que ao entrar no Mercado foi uma volta no tempo. Vi-me, ali, menina, de mãos dadas com meu avô, caminhando entre os boxes de produtos, até chegarmos à tabacaria,  onde um senhor simpático nos atendia detrás de uma balcão de madeira escura. Meu avô, sempre muito articulado e cordial, fazia seu pedido, comentava amenidades ou as notícias do dia, e  depois, quase sempre, íamos comprar alguma guloseima para beliscar.
       A tabacaria ainda está  lá, com o mesmo balcão escuro, o fumo de corda no mesmo lugar. A emoção não deixou que eu me aproximasse e perguntasse, para o mais velho dos vendedores, se ele se lembrava do meu avô. Talvez eu tenha mais coragem em uma próxima visita.