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sábado, 15 de julho de 2017

Seja bem-vinda, mudança!

Mudança de casa, mudança de emprego, mudança de vida.... Seja qual for o tipo de mudança que estamos enfrentando ou iremos enfrentar (sim, o que é realmente certo na nossa vida é a mudança!), pode abalar nossas estruturas e  até nos deixar com um pé atrás. Será mesmo que devo? Não é melhor deixar tudo como está?

Mudanças são difíceis, tenho que concordar. Quando estava na oitava série, indo para o colegial (hoje ensino médio), quis mudar de colégio para um considerado mais forte, na época, onde eu tivesse mais chances de ser aprovada em uma faculdade pública. Eu e  minha mães fomos até o tal colégio, fiz entrevista, fiz a prova de admissão, fui aprovada, mas na hora "agá", desisti. Era muito apegada ao lugar onde estudava desde os seis anos de idade e onde colecionava vários amigos. Não é meu perfil resistir ao novo, mas alguma coisa naquela hora falou mais alto. E hoje eu posso dizer que foi o medo do desconhecido. Sair da minha zona de conforto não me cabia naquele momento.

Gosto de mudanças. Faz a gente sair do círculo vicioso e pensar fora da caixa ( para usar um termo atual). Revigora e dá novas perspectivas. Muitas ainda me assustam de verdade, mas eu prefiro enfrentá-las do que ficar na mesmice. Como disse Fernando Pessoa: "Tudo quanto vive, vive porque muda; muda porque passa; e porque passa, morre. Tudo quanto vive perpetuamente se torna outra coisa, constantemente se nega, se furta à vida."  Hoje,  novamente, me vejo diante de mais mudanças e desafios. Mudança de perspectivas, mudança de sonhos. Seja lá o que for, seja muito bem-vinda!

Mudança é vida. É isso o que importa.







quinta-feira, 18 de outubro de 2012

De mãos dadas


Hand in hand é o titulo de um quadro que comprei anos atrás para decorar minha sala. Identifiquei-me com ele assim que coloquei os olhos naquela fotografia em preto e branco: duas crianças de mãos dadas, caminhando por uma estradinha de terra. Não poderia haver nada mais simples e bonito que aquela representação da infância. Fez-me lembrar da minha própria infância, em especial de meu irmão Ricardo, dois anos mais novo. Pareciamos nós dois andando por aquela estradinha bucólica.
O engraçado é que havia uma semelhança fisica conosco: o menino era mais baixo e loiro, como meu irmão, e a menina, morena, como eu. O corte de cabelo parecido com o que eu usava, o mesmo vestidinho. Também brincávamos descalços no quintal, em meio às plantas e bichos de estimação. Infelizmente, meu irmão nos deixou cedo demais,  aos nove anos, vitima de um aneurisma. Mas ainda me recordo bem,  depois de todos esses anos, daquele rostinho iluminado, cheios de sardas, e dos olhos verdes brilhantes. Sinto que, até hoje, estamos de mãos dadas. Como as crianças da foto.
 

domingo, 14 de outubro de 2012

Eu, meu avô e o Mercadão.

     Havia quase trinta anos que eu não ía ao Mercado Municipal da Lapa. Entrei lá, certo dia desses, depois de deixar minha filha em uma escola de computação gráfica nas proximidades. Resolvi ficar no bairro e conhecer o pulsante comércio popular local, que fica ainda mais efervescente aos sábados. Depois de andar de loja em loja para conhecer produtos e promoções, dei uma esticadinha até o Mercado. Quando  menina, ía muito lá com meu avô, Basílio, para comprar fumo de corda. Nascido em  Americana, no interior de São Paulo, manteve sua predileção pelos cigarros de palha, que ele mesmo pacientemente enrolava,  após as refeições.
      Não me lembro exatamente porque saíamos da Zona Leste, onde morávamos, para comprar o tal fumo de corda lá na Lapa, do outro lado da cidade. Talvez meu avô tivesse explicado que era o melhor da cidade ou fosse apenas uma desculpa para rodar um pouco  mais com o seu sempre impecável Fusca vermelho, ano 1963. Nessa época, ela ainda trabalhava com vendas e não havia canto da cidade que não conhecesse bem.
      Não preciso dizer que ao entrar no Mercado foi uma volta no tempo. Vi-me, ali, menina, de mãos dadas com meu avô, caminhando entre os boxes de produtos, até chegarmos à tabacaria,  onde um senhor simpático nos atendia detrás de uma balcão de madeira escura. Meu avô, sempre muito articulado e cordial, fazia seu pedido, comentava amenidades ou as notícias do dia, e  depois, quase sempre, íamos comprar alguma guloseima para beliscar.
       A tabacaria ainda está  lá, com o mesmo balcão escuro, o fumo de corda no mesmo lugar. A emoção não deixou que eu me aproximasse e perguntasse, para o mais velho dos vendedores, se ele se lembrava do meu avô. Talvez eu tenha mais coragem em uma próxima visita.